Muitos gestores e profissionais de RH ficam perplexos quando, após uma perícia judicial, o laudo é desfavorável à empresa. O argumento comum é: “Mas temos todos os documentos, pagamos os adicionais e os laudos estão assinados!”.
A verdade é que, no ambiente jurídico, estar em dia com o papel não significa estar em conformidade com a realidade operacional. Abaixo, listamos os principais motivos pelos quais as empresas perdem perícias, mesmo acreditando estarem seguras.
1. Documentação “Copy-Paste” (Genérica)
O erro número um é ter documentos de prateleira. O perito percebe rapidamente quando um PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) descreve uma realidade que não existe no chão de fábrica.
- O problema: Riscos listados que não existem ou riscos reais omitidos.
- A consequência: O perito desqualifica o documento da empresa, invalidando sua defesa técnica.
2. A Falha na Entrega e Gestão de EPIs
Não basta comprar o melhor equipamento; é preciso provar que ele foi entregue, treinado e que a higienização/substituição ocorre no prazo.
- Ficha de EPI incompleta: Falta do número do CA (Certificado de Aprovação) ou datas de entrega inconsistentes.
- Falta de fiscalização: Se o perito perguntar ao funcionário e este disser que “nem sempre usa”, a empresa perde o caso, pois o dever de vigilância é do empregador.
3. Inconsistência entre PCMSO e Riscos Reais
Se o PGR aponta ruído acima do limite de tolerância, mas o PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional) não prevê exames de audiometria, há uma falha grave de nexo.
- Dica: A saúde ocupacional deve “conversar” diretamente com a segurança do trabalho.
4. O Preposto e o Assistente Técnico
Muitas empresas enviam para a perícia um preposto que não conhece o processo produtivo ou, pior, não contratam um Assistente Técnico SST.
- O perito judicial é um profissional de confiança do juiz, mas ele também pode errar.
- Sem um Assistente Técnico da empresa para acompanhar a diligência, contestar medições mal feitas ou apontar detalhes técnicos na hora, a empresa fica à mercê apenas da visão do perito do juízo.
5. Medições Técnicas Desatualizadas ou Mal Feitas
Apresentar um laudo de insalubridade (LTCAT) com medições de ruído ou agentes químicos feitas há 3 anos, em máquinas que já foram trocadas ou passaram por manutenção, é um convite à derrota.
- Realidade: Se o perito fizer uma medição na hora e o valor for diferente do que consta no seu laudo, a credibilidade da sua documentação cai por terra.
Conclusão: SST é Processo, não Documento
Perder uma perícia custa caro — honorários, indenizações e retroativos de adicionais podem somar valores altíssimos. Estar “em dia” com a SST na Marcelino SST significa garantir que a teoria do papel seja exatamente o que acontece na prática diária da empresa.
Sua empresa está realmente protegida ou apenas “documentada”?

