A gestão da Segurança e Saúde no Trabalho está passando por uma importante transformação. Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 01 (NR-01), os fatores de riscos psicossociais passaram a integrar oficialmente o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e, consequentemente, o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Na prática, isso significa que as empresas não devem avaliar apenas os riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos. A organização do trabalho e os fatores que podem afetar a saúde mental dos trabalhadores também precisam ser identificados, avaliados e controlados.
Mas afinal, como implementar os riscos psicossociais no PGR?
Neste artigo, explicamos o passo a passo.
O que são riscos psicossociais?
Os riscos psicossociais são fatores relacionados à forma como o trabalho é organizado, gerenciado e executado, podendo gerar impactos na saúde física e mental dos trabalhadores.
Entre os principais exemplos, destacam-se:
- Sobrecarga de trabalho;
- Jornadas excessivas;
- Metas abusivas ou inatingíveis;
- Assédio moral;
- Falhas de comunicação;
- Falta de reconhecimento profissional;
- Conflitos interpessoais;
- Falta de autonomia;
- Lideranças despreparadas;
- Ambiente organizacional tóxico.
Quando não são adequadamente gerenciados, esses fatores podem contribuir para o aumento do estresse, ansiedade, esgotamento profissional (Burnout), afastamentos e queda de produtividade.
Por que incluir os riscos psicossociais no PGR?
A atualização da NR-01 reforça que o gerenciamento de riscos deve considerar todos os fatores que possam comprometer a segurança e a saúde dos trabalhadores, inclusive aqueles relacionados à saúde mental.
Além do cumprimento legal, a gestão adequada dos riscos psicossociais traz benefícios importantes para a organização, como:
✔ Redução do absenteísmo;
✔ Menor índice de afastamentos;
✔ Diminuição do turnover;
✔ Redução de ações trabalhistas;
✔ Melhoria do clima organizacional;
✔ Aumento da produtividade e do engajamento.
Como implementar os riscos psicossociais no PGR?
A inclusão dos fatores psicossociais no PGR deve seguir uma metodologia estruturada, semelhante à utilizada para os demais riscos ocupacionais.
Etapa 1 – Identificação dos riscos
O primeiro passo é identificar os fatores de riscos psicossociais existentes na organização.
Essa identificação pode ser realizada por meio de:
- Aplicação de questionários;
- Entrevistas com colaboradores;
- Pesquisas de clima organizacional;
- Reuniões de escuta;
- Observação das atividades;
- Análise de documentos e indicadores.
Também é importante avaliar aspectos relacionados à organização do trabalho, como:
- Distribuição das atividades;
- Definição de metas;
- Jornadas de trabalho;
- Modelo de liderança;
- Comunicação interna;
- Processos de tomada de decisão.
Etapa 2 – Avaliação dos riscos
Após a identificação, é necessário avaliar cada fator de risco.
Essa avaliação deve considerar:
Probabilidade
Qual a chance de aquele fator gerar impactos à saúde dos trabalhadores?
Severidade
Quais as possíveis consequências caso o risco não seja controlado?
A análise deve considerar informações como:
- Histórico de afastamentos;
- Indicadores de absenteísmo;
- Rotatividade;
- Acidentes relacionados ao fator humano;
- Reclamações internas.
Etapa 3 – Registro no Inventário de Riscos
Os fatores de riscos psicossociais identificados e avaliados devem ser registrados no Inventário de Riscos do PGR.
O registro deve contemplar:
- Descrição do risco;
- Possíveis danos à saúde;
- Medidas de controle existentes;
- Avaliação do risco;
- Necessidade de ações adicionais.
O Inventário de Riscos passa a ser um importante instrumento para documentar a gestão da saúde mental no ambiente de trabalho.
Etapa 4 – Elaboração do Plano de Ação
Após o registro dos riscos, a empresa deve definir medidas preventivas e corretivas.
Alguns exemplos de ações são:
Gestão e liderança
- Treinamento de líderes;
- Desenvolvimento de competências de gestão de pessoas;
- Capacitação em comunicação assertiva.
Organização do trabalho
- Revisão de metas;
- Redistribuição de atividades;
- Adequação de jornadas.
Saúde e bem-estar
- Programas de saúde mental;
- Campanhas de conscientização;
- Ações de qualidade de vida.
Comunicação e relacionamento
- Canais de escuta;
- Programas de prevenção ao assédio;
- Pesquisas de clima organizacional.
O plano de ação deve conter:
✔ Responsável;
✔ Prazo;
✔ Recursos necessários;
✔ Forma de acompanhamento.
Etapa 5 – Monitoramento e melhoria contínua
A gestão dos riscos psicossociais não deve ser realizada apenas uma vez.
A NR-01 exige um processo contínuo de monitoramento.
Alguns indicadores importantes são:
- Absenteísmo;
- Turnover;
- Afastamentos previdenciários;
- Reclamações trabalhistas;
- Acidentes relacionados ao comportamento humano;
- Resultados de pesquisas de clima.
O monitoramento permite verificar se as medidas implementadas estão sendo eficazes e identificar novas necessidades de intervenção.
Quais os benefícios para a empresa?
As organizações que investem na gestão dos riscos psicossociais conseguem obter ganhos significativos:
✔ Redução do absenteísmo;
✔ Menos ações trabalhistas;
✔ Redução dos afastamentos;
✔ Melhoria do clima organizacional;
✔ Maior produtividade;
✔ Maior engajamento das equipes;
✔ Fortalecimento da cultura de prevenção.
Além disso, empresas que promovem ambientes de trabalho mais saudáveis tornam-se mais competitivas, atraem talentos e fortalecem sua imagem no mercado.
Como a Marcelino SST pode ajudar?
A Marcelino Engenharia Segurança do Trabalho oferece soluções completas para adequação à NR-01, incluindo:
✅ Diagnóstico dos riscos psicossociais;
✅ Aplicação e análise de questionários;
✅ Atualização do PGR;
✅ Elaboração de Inventário de Riscos;
✅ Plano de ação para mitigação dos riscos;
✅ Treinamento de lideranças;
✅ Consultoria especializada em Segurança e Saúde no Trabalho.
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